Assim como todo ser humano eu precisava me encontrar,
foi então que tudo começou.
Minha infância havia passado tão rápido que eu nem
percebi, amigos ficaram pra trás e novos amigos entravam na historia. Devido ao
meu jeito explosivo, um histórico de vários inimigos também ficava pra trás,
hoje em dia encontro com alguns e cumprimento sem ressentimentos, pois acredito
que as desavenças do passado eram frutos da infantilidade de ambas as partes.
Uma nova fase da minha vida começava e eu tinha que
mudar radicalmente, começou pelo visual e fui modificando o resto. Nesse meio
tempo meu guarda roupas passou por constantes mudanças e eu percebi que estava
amadurecendo cada dia mais. As brigas com meus pais e meu irmão eram cada vez
menores e foi assim que meu relacionamento com eles se tornou estável.
Mesmo crescendo como pessoa, cometi alguns grandes
erros por causa de relacionamentos mal vividos. E isso não foi uma ou duas
vezes, foram várias! Até eu perceber que amadurecer não significa saber se
relacionar com uma pessoa, eu não sabia nada sobre o amor e nem como viver num
relacionamento. Durante minha infância tive que “tomar na cara” várias vezes
pra aprender e no amor não é diferente, mas eu sempre fui muito bom em juntar
os cacos e refazer tudo de uma forma melhor. Quando comecei a beber e fumar, eu
já tinha consciência das conseqüências que aquilo me traria e nunca iniciei
certas coisas por influencia, sempre fiz por vontade própria e me sinto bem por
não ter a quem culpar.
Logo depois de todo o processo da adolescência veio às
responsabilidades como, trabalho, contas, gastos e etc. É aí que nós conhecemos
a tal independência, aquela que nossos pais sempre nos diziam ao longo dos
anos. Viver essa independência não é nada fácil, mais uma vez você descobre que
existe outra coisa que você não sabe. Foi quando o termo: “Eu só sei que nada
sei”, fez sentido na minha vida. Tudo isso era tão chato e tão entediante que
resolvi encontrar caminhos pra me distrair, foi então que eu comecei a
freqüentar as boates, ainda menor de idade e com carteira adulterada. No começo
o que me atraia em casas noturnas era a música, a bebida nem tanto porque na
época eu não tinha tanto gosto pra bebida alcoólica quanto tenho hoje em dia, e
os amigos que eu tinha eram poucos que gostavam de balada. Depois de algum
tempo comecei a ir mais pela bebida do que pela música, pois alguns lugares já
estavam repetitivos pra mim e descobri que quanto mais bêbado eu ficava, mais
me divertia. Hoje em dia posso dizer que vou mais pelo prazer da companhia de
amigos e pessoas queridas do que pela musica e bebida. Foi nesse meio tempo que
descobri uma paixão, como freqüentava muito algumas boates acabei fazendo
amizades com os funcionários das casas e conhecendo melhor o trabalho de cada
um. Comecei a admirar a forma com que alguns DJs tratavam as musicas e
transmitia toda aquela energia pra pista de dança. Inicialmente parecia muito
fácil, sempre acreditei que não tinha truques ou macetes que tudo era
planejado. Daí alguns amigos se inscreveram no concurso de DJs e comecei a
reparar mais no som e a seqüência de musicas que rolava, fiz uma analise sem
conhecimento nenhum, de todos os DJs que eu via. Logo depois resolvi me
arriscar e também me inscrevi no tal concurso. Aprendi o básico com a boate e
fui aprendendo mais com alguns amigos e depois fui aprendendo sozinho algumas
coisas, sinto que quando estou de frente pro CDJ tenho a responsabilidade de
transmitir energia positiva pra pista e sentir a energia que eles estão transmitindo
e transformar tudo em uma coisa só. Hoje em dia tenho muito a agradecer a
várias pessoas pela oportunidade que me deram de entrar no meio e acreditar no
meu talento.
Assim como quase todo “DJ” eu precisava de um nome, o
meu não era suficiente, depois de pensar muito resgatei um apelido antigo meu e
vi o quanto ele tinha sentido. Algumas pessoas estranharam e outras estranham
até hoje, Yghor Furacão começou como uma brincadeira porque eu dizia que era
filho da Hilda Furacão. Pode soar estranho pra algumas pessoas pelo fato da
maioria associar a Furacão 2000 e pensar que toco funk, mas não tem nada a ver.
Resgatei o apelido porque hoje penso pelo seguinte ponto de vista, assim como
um furacão eu carrego as pessoas até o lugar onde estou e faço com que entrem
no meu ritmo, que girem ou no caso dancem na mesma direção que vou guiando, que
sintam a minha energia e ao mesmo tempo me passem a sua energia.
Sei que tenho muito a aprender e pretendo aprender
cada dia mais e me aprofundar nisso, pois é uma coisa que eu faço com amor.
Assim é Yghor Furacão, e se num trecho de musica eu
tivesse que me descrever, eu diria: Here I’m, rock like a hurricane!!!
