sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Amor anda de luvas

Era uma vez um lugar chamado Mundo, e nele havia duas crianças, uma se chamava Amor e a outra se chamava Ódio.
Amor e Ódio eram grandes amigos e quase sempre estavam juntos, mas o Amor era muito popular e todos queriam estar com ele então o Ódio às vezes ficava meio isolado, pois ninguém queria sua presença por perto e isso o deixava triste e confuso.
Ódio não entendia porque as pessoas se afastavam dele, mas isso não importava porque ele tinha o Amor para fazer companhia de vez em quando.
O Amor era uma criança muito alegre e muito querida, porém ninguém sabia por que ele estava sempre de luvas, nem mesmo o Ódio que era um amigo mais próximo sabia ou nem mesmo quisera perguntar isso antes. Um dia o Ódio resolveu desabafar com o Amor e disse que as pessoas se incomodavam com sua presença e se ele sabia o porquê disso.
O Amor não soube explicar, mas lhe deu um conselho, disse que ele não devia se preocupar com o que os outros pensam e que devia tentar se aproximar das pessoas e mostrar seu lado bom. Eu não sabia que o Amor e o Ódio andavam juntos ou sequer que eram amigos tão próximos, afinal ninguém havia visto os dois juntos antes.
Uma vez eu me aproximei do Ódio e percebi que ele não era uma pessoa ruim, porém ele mesmo se afastou de mim e desde então eu me mantive longe dele, já o Amor era uma companhia muito agradável e eu sempre que podia estava perto dele, até que descobri alguns defeitos.
O Amor era sincero demais, e às vezes ele magoava sem perceber e descobri também que ele era preconceituoso, pois ele escolhia suas companhias e não andava com qualquer um, diferente do Ódio que não tinha preferências quando se tratava de uma companhia, afinal ele não tinha ninguém e qualquer um que aparecesse era lucro.
Foi então que resolvi questionar o porquê o Amor estava sempre de luvas, teria ele uma doença transmissível ou algo do tipo? Ou teria ele nojo de tocar nas coisas e pessoas uma vez que era tão puro e tão único?
Minha resposta veio logo em seguida quando vi o Amor de mãos dadas com o Ódio, e em minhas lembranças veio à imagem dos dois sempre juntos. Assim pude concluir que o pior cego é realmente aquele que não quer enxergar. Afinal eles estavam sempre juntos e as luvas eram para não se corromper não só com o Ódio, mas com todo o resto, pois a falta de aderência que ela dava deixava com que escapasse às vezes e se você quisesse ter o Amor por perto teria que fazer como o Ódio segurá-lo firme.
O Amor anda sempre de mãos dadas com o Ódio, o Amor anda de luvas.
Yghor Alex

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